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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Contraponto #5 - Melancolia e Tristeza

As raízes do blues remontam às comunidades afro-americanas do sul da América no final do século XIX, altura em que a "música a sério" era para gente com carteiras largas. É caracterizado por progressões de acordes específicas e notas "especiais" que fogem ao padrão da escala normal e que, por isso, dão um valor expressivo muito próprio às músicas de blues. A interpretação das letras aproxima-se mais duma fala ritmada do que de uma melodia propriamente dita. Estas habitualmente falam de opressão, problemas sociais (temas comuns no blues mais antigo), depressão e problemas na vida amorosa. E agora, B. B. King e Stevie Ray Vaughan.

"The Thrill is Gone", B. B. King
Qualquer músico de blues que se preze tem de transmitir emoção em cada nota que toca. E no que diz respeito a transmitir emoção, a taça vai para este guitarrista. B. B. King e a sua lendária guitarra "Lucile" revolucionaram o mundo da música com a sua expressividade. A sua técnica assenta num sofisticado vibrato e em bends portentosos que transformam cada gota de emoção numa lança que se crava na alma de qualquer apaixonado por música.



"Texas Flood", Stevie Ray Vaughan
É norma considerar-se que um músico que atinge o nível técnico de Stevie Ray Vaughan vendeu a sua alma ao diabo. Não sei como é que estavam as taxas de juros na altura mas garanto-vos que, a ter acontecido, o negócio foi excelente. A sua morte prematura num acidente de helicóptero não o impediu de deixar um vasto legado em vários estilos de música, nomeadamente o blues. Hoje é reconhecido como um dos melhores e mais influentes guitarristas de todos os tempos.



Deixo-vos com estas duas peças sublimes. Até à próxima!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Contraponto 4# - Rock Progressivo

O Projecto Além do Som está de volta e, por muito estranho que pareça, eu também! Por um lado temos ano novo, por outro vou mostrar-vos um estilo cujos intérpretes estão na melhor das hipóteses mumificados. E trata-se do rock progressivo. Este filho excêntrico nasceu do casamento da música rock dita "normal" com o jazz e a música. O estilo é caracterizado por uma exigência técnica considerável, estruturas musicais complexas e temas abstractos. Teve os seus dias de glória durante a década de 70, quando bandas como Pink Floyd, King Crimson, Yes, Rush e Genesis dominavam o panorama musical. Apesar do declínio da popularidade do rock progressivo, a boa música nunca morrerá e eu faço questão de a ressuscitar.

"21st Century Schizoid Man", King Crimson

As influências musicais de Robert Fripp e companhia davam para escrever um livro. Felizmente, nenhum deles teve essa ideia. Em vez disso, criaram um estilo que acabou por cimentar as bases do rock progressivo. "21st Century Schizoid Man", é notável pelos seus vocais distorcidos, pela sua letra altamente metafórica relativa à guerra do Vietname, pelo seu som proeminente de guitarra eléctrica e saxofone, e pela sua elaborada linha de bateria é indiscutivelmente um dos melhores trabalhos da banda e do rock progressivo em geral.



"Comfortably Numb", Pink Floyd

"We don't need no education, we don't need no thoughts control". Não só a famosíssima de abertura de "Another Brick in the Wall" foi cantada vezes sem conta por uma geração inteira de adolescentes durante a década de 70, como provavelmente foi mais do que suficiente para garantir aos membros de Pink Floyd um lugar previligiado na lista negra da então primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher. Um dos grupos mais bens sucedidos de todos os tempos, tendo vendido mais de 200 milhões de álbuns por todo o mundo, Pink Floyd deixou a sua assinatura no mundo da música pelos seus elaborados espectáculos ao vivo, letras filosóficas e som experimental. "Comfortably Numb" é uma extraordinária peça musical, donde se destacam dois magistrais solos de guitarra de Dave Gilmour.



O rock progressivo é preservado actualmente no som de bandas de metal progressivo, como Dream Theater, Queenrÿche e Planet X. Apesar disso, o legado deixado por esses músicos é eterno e recomendo vivamente que o explorem. Volto na próxima semana. Até à próxima e ouçam boa música.

sábado, 13 de novembro de 2010

Contraponto #1 - Homenagem ao Rock

Esta é a primeira publicação da rubrica "Contraponto", espaço onde vos darei a conhecer (ou a reconhecer) obras esculpidas pelo génio musical de alguns dos maiores artistas de todos os tempos. Semanalmente, proponho-me a mostrar vários períodos da história da música e reflectir um pouco sobre eles, como se relacionam e como se pode encontrar beleza na diversidade.

Neste pontapé de saída, deixo a minha homenagem ao rock com os nomes de Chuck Berry e Led Zeppelin, aquele que é considerado um dos pioneiros do estilo e a banda que, segundo muitos, levou o rock ao seu expoente máximo, respectivamente.

"Johnny B. Goode", Chuck Berry

"Johnny B. Goode" é uma das primeiras, senão mesmo a primeira, música de rock & roll de todos os tempos e impulsionou o estilo para os grandes palcos. Lançada em 1958, é uma canção de certo modo autobiográfica, segundo o próprio Chuck Berry. Fala sobre um "rapaz do campo" que tocava guitarra e que um dia poderia chegar à ribalta. Uma guitarrada de primeira categoria de um dos maiores guitarristas de sempre, "Johnny B. Goode" é um êxito definitivo e sem o qual muitos outros nunca existiriam, como por exemplo a obra-prima que se segue.



"Stairway to Heaven", Led Zeppelin

Músicas, há muitas. Grandes músicas, algumas. "Stairway to Heaven", só uma. A maior criação de um dos maiores grupos de hard rock de todos os tempos. Lançada em 1971, é um épico que "cristalizou a essência da banda", segundo o guitarrista e compositor Jimmy Page. Desde as primeiras notas de guitarra acústica, à interpretação magnífica do vocalista Robert Plant, ao solo sobre-humano de Jimmy Page, ao ritmo inconfundível do baterista John Henry Bonham, às indispensáveis linhas de baixo e teclado de John Paul Jones é uma viagem pelo significado da vida que marcará de certo qualquer apaixonado pelo rock.